Bom, diante das tensões que me cercam associadas ao gosto pela escrita, decidi expressar meus pensamentos e demais opiniões sobre momentos, assuntos, filmes e outros assuntos do meu interesse.
Para começar, falarei sobre aquilo que a cada dia que passa sobrevivemos nos aproximando cada vez mais.
Para a morte existem sentidos atribuídos para cada ser que simplesmente, morre. Quando para alguns a morte é o início de uma nova vida, para outros é apenas o fim da vida. Quando acontece com o próximo que está doente, ele descansa, se está são, não faz sentido morrer, se é novo, menos sentido ainda.
A verdade é que sem a morte a vida não teria sentido. Se pararmos para analisar, todas as nossas realizações pessoais, involuntariamente ou não, acontecem principalmente pelo fato de termos consciência de que um dia, a nossa hora chegará. Sabemos que um dia, terá alguém chorando por nós e que tudo que foi feito por nós, estará nas lembranças daqueles que estiveram conosco, ou registrados em fotos, escritos e demais recordações.
Hoje, observando com atenção a letra "construção" de Chico Buarque, fez-me pensar de que a letra narra exatamente o que fazemos em nossas vidas. Nós nascemos para morrer e não importa a ordem ou intensidade com que as coisas aconteçam, ela sempre acabará no mesmo lugar.
Construção
Chico Buarque
Composição: Chico Buarque
Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego
Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho seu como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou pra descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo
Bebeu e soluçou como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público
Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contra-mão atrapalhando o sábado